O Tesslergate.
Eduardo Tessler foi o jornalista mais comentado no facebook e em todas as rodas de aviação desde as salas vips do AMEX e do Diners de Guarulhos e Congonhas, bem como nos DO’s de todas as empresas aéreas Brasileiras. O autor daquele enfadonho texto “caroneiro dos ares” e o “jeitinho 1, educação 0” criou um flamming imenso em todos os cantos do mundo, e uma indignação por parte de todos os aeronautas, no que diz respeito a atitude e as idéias pré-concebidas dos tripulantes que viajam “de carona” (termo técnico: extra particular/extra remunerado). Pois bem.
O que eu acho disso tudo? Bom, vou tirar esse post para ser meio advogado do diabo. Eu me considero um alvo dos textos dele também, apesar de ter a alma lavada (ainda que tardiamente) pela resposta do SNA, contudo não impede que venhamos a analisar a postura isolada do profissional em foco neste texto.
1) Primeiro é aonde ele se encontra. Jornalistazinho básico, que publica seus textos num provedor de conteúdo copiado, como o Terra networks. De fato, o Terra deve ter uma abrangência de clientes grande, e é fato que jornalistas novos começam seus empregos nesses portais e vão cavando oportunidades melhores até parar (ou não) nas mídias principais impressas (ou grandes mídias online). Não imagino que o Terra seja um bom nicho para jornalistas experientes, até porque ela não pode criar muita coisa vez que a infraestrutura dela é baseada nas agências de notícias já consolidadas no mercado e delas copiada. Também temos que notar um ponto importantissimo: um jornalista sério como O Globo, O Dia, ou qualquer outra mídia de circulação massiva provavelmente terá uma postura estudada do caso, polida, ainda que mencionasse algo essenciamente polêmico. Jamais iria dizer “caroneiros”, iria dizer talvez “tripulantes de carona” ou algo provavelmente mais próximo da realidade. Se prestarmos atenção nos dois textos dele, ele escreve como se fosse um papo informal no bar, sendo ele a vítima do incômodo, e não algo jornalístico sério. Comporta-se como um jornalista medíocre idealista sem causa, para dizer o mínimo. Convenhamos, para ser jornalista hoje em dia nem precisa mais de diploma: E nisso obtemos duas interpretações: Tem gente que faz curso e não consegue ser nada, e tem gente que nunca precisou de curso e é um excelente atuante na área. Aparentemente, Tessler deve se encaixar na primeira opção.
2) Tessler na realidade nunca fez nenhum dever de casa (pesquisa) para compor essa “reportagem”. Ele parece que já tem um lugar comum, um recalque pré estabelecido. Ele quer porque quer atacar os tripulantes. Eu bem que gostaria de saber quem estaria financiando ele pra fazer isso. Para ele não importa que a Infraero seja um poço sem fundo de corrupção, ou que a ANAC seja um cabide de despreparados, gerenciada até pouco tempo pela foda mais gostosa do Ministro da Defesa. Todo o Caos da aviação e a desgraça de todos os passageiros para fechar a porta da aeronave é do “piloto gordinho risonho” (seja lá o termo utilizado por ele) que senta do lado dele. Nessa hora, eu gosto de usar aquela frase bem dita durante o aeroclube: “mijar pra baixo é muito fácil”. Quero ver ser macho e mijar pra cima.
3) Nota-se também uma falta de adequação terminológica. O recalque é pessoal, ele só esqueceu de ser mais explícito neste ponto. Também não se deu ao trabalho de perguntar por quê existam tantos tripulantes voando de extra. Nessa hora era interessante fazermos também um Mea Culpa: Desde os fins da aviação brasileira clássica (Varig, Vasp, Transbrasil), 80% das empresas aéreas brasileiras baseiam seus tripulantes exclusivamente no estado de São Paulo. São elas a TAM, a Gol, a Avianca Brasil (ex: OceanAir) e a Azul. A Trip, Webjet e Passaredo se localizam em bases completamente diferentes devido ao foco regional delas (Exceção da Webjet, que quer abrir base por uma questão estratégica diferente). E daí, temos que botar na balança que o incômodo Tessleriano não o fez nem pensar os motivos pela qual nós nos movimentamos constantemente: Umas vezes para ir pra SP para trabalhar, outras vezes porque a empresa programa os tripulantes intencionalmente para ir como passageiros para determinada localidade para fazer outros vôos ou outros fretamentos. Temos culpa? Mesmo?
4) Para ajudar o nosso amigo jornalista, que abusa de sua mediocridade escrevendo sem pensar ou estudar sobre o assunto, interessante seria questionar a centralização da base dos tripulantes em um só local, visto que num país que em tese irá sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas dentro em breve. Além disso, vale perguntar também por quê existe esse caos político constante dentro da infraestrutura estagnada da Infraero onde as empresas tem que crescer pedindo “pelo amor de deus” para os órgãos governamentais responsáveis. Disso ele não fala, porque obviamente lhe falta a coragem ou o discernimento para fazer essas perguntas. Sabe que se for mexer com gente grande no governo vai tomar uma boa dedada (desculpe, sou educado) no seu lindo esfíncter e sua carreira, que já não era lá essas coisas, aí sim não vai sair do chão MESMO.
5) Ao invés de xingá-lo como todos tem feito (de certa forma com razão), eu gostaria de convidá-lo para uma entrevista. Gostaria de talvez, se ele fosse ético o suficiente, convidá-lo a mostrar o que está acontecendo na aviação civil brasileira hoje. E também convidá-lo a prestar atenção no que está acontecendo ao redor dele, visto que aparentemente os óculos dele estão mal ajustados em termos de foco e especificações. Ele não foi pra São Luiz do Maranhão ver o Terminal Aeroportuário com o teto desabado, onde as pessoas tem que esperar num calor satânico o seus vôos num terminal de lona, parecendo uma tenda de música eletrônica no Aterro do Flamengo, em pleno meio dia. Ele não viu também as goteiras dos fingers do Aeroporto de Recife, que se dizem prontos para receber a Copa do Mundo. Ele também não observou os superfaturamentos dos ” Módulos Operacionais Provisórios” (popularmente conhecidos como Puxadinhos) de Vitória, no Espírito Santo, que já estão parados por falta (a.k.a desvios) de Verbas. Ele também não vai saber explicar por quê o Aeroporto de Goiânia está estagnado onde o argumento principal é a falta de espaço. Ele também não vai saber explicar o porquê do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro não estar sujeito a privatização, devido as forças políticas do Sérgio Cabral com as Forças Armadas em relação a quem controla aquele aeroporto, que está mais do que na hora de ser reformado, nos 2 terminais.
Isso sim seria um jornalismo decente, revolucionário, verdadeiro e ético. Mas como o Tessler é um cagão (desculpe, não consigo achar outro termo adequado), ele não vai “mijar pra cima”. Dá trabalho. É mais fácil jogar a culpa nos tripulantes e nos trabalhadores, visto que com político poderoso é beeeeeeeeem mais difícil, sob pena de se tornar um renegado e morrer por isso. O quê? Morrer por tripulantes? Jamais! Então ética, neste caso, não tem lugar. Imediatamente me lembro de umas das frases mais célebres na política brasileira, de Rubens Ricúpero, antigo ministro da fazenda, que dizia “O que é bom a gente Fatura, o que é ruim a gente Esconde”, naquele incidente da TV via Satélite. Duvido que ele se lembre dessa frase, ou de quem foi Rubens Ricúpero. Mas ele com certeza conhece o princípio geral. Ele faturou o ibope e a sua promoção pisando nos aeronautas. E nem ficou por isso mesmo.
Por isso convido nosso colega Jornalista Eduardo Tessler a se apresentar para discutir verdadeiramente os problemas que ele tem enfrentado como passageiros. Tenho certeza que o grupo de vôo todo será unânime em dizer quais são os problemas pontuais e, na realidade, se ele for investigá-los, irá parar numa teia política fortíssima, de seres graúdos e poderosos, que vão dar uma martelada de Thor (sim, Thor porque está na moda e está em cartaz também) na cabeça dele. Se não matarem, porque no Rio de Janeiro, por muito menos você não toma um tiro até mesmo no Posto Mega na Barra da Tijuca.
Logo, aos meus queridos aviadores, durmam tranqüilos. Nós sabemos os problemas que enfrentamos diariamente. Ninguém nos perguntou nada, e no olho dos passageiros, infelizmente ainda seremos os culpados, graças a esses jornalistas medíocres que mal ou bem, se vendem barato para a mídia, a troco de fama e um pouco de dinheiro. Eu não me desgastaria tanto por pouco.
Vamos fazer um pequeno flashback, porque eu acho que é válido: Lembram em 2007, no apagão áereo e na greve dos controladores? Sabe para onde os passageiros transmitiram sua revolta? Contra as empresas aéreas. Ninguém perdoou os coitados dos pilotos, comissários, despachantes e atendentes de balcão de check-in. Já que, obviamente, em uma demanda judicial, processar a empresa aérea dá retorno certo em face de uma empresa pública ou autarquia, onde seu dinheiro irá mofar em precatórios durante 10 anos. Ninguém vai contra a Infraero, ninguém vai contra a União, porque sabem que vão mexer com gente graúda. Nem as empresas aéreas fazem isso, porque as últimas que tentaram, foram massacradas de forma categórica. Isso aqui, no final das contas, precisa é de um impacto de moral. E estamos muuuuuuuuito longe disso, com esse governo medíocre da Dilma.
É essa minha opinião, senhores. Deixem ele para lá. Ele já conseguiu o ibope dele às nossas custas. Já já ele vai ser jornalista de algum jornal bom. Esperem só e verá. Sabe por quê? Porque no Brasil, o Mundo é dos medíocres, e nós ficamos sentados e observando perplexos, sem fazer absolutamente nada.