Vida de Tripulante

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Mudança de endereço

Agora meu blog está em outro endereço.

Saí do tema só de aviação dessa página. Passo agora a falar de absolutamente tudo que sei, ou que acho que sei.

http://oroquefala.blogspot.com

Sobre Gramado

Gramado

Para tentar dar alguma vida a esse blog moribundo que eu praticamente esqueci, vou começar a falar das minhas viagens recentes. A primeira delas é bem simpática e humilde, embora cheia de críticas, como sempre. Gramado e Canela.

Primeira coisa a ser mencionada é que esse tipo de viagem é destinada a casais (sem filhos, preferencialmente). E te digo que, com o pouco que eu vi, não se faz necessário mais que 3 noites nesta cidade para conhecer a plenitude de ambas, com suas características culturais, gastronômicas e naturais. Fora isso, já tá bom.

Hotéis: A cidade de gramado não tem hotéis de bandeira internacional. Esqueça Holiday Inn e afins. Os hotéis são regionais e gerenciados pelos locais. A cidade praticamente vive do turismo, tanto que em boa parte das atrações que você escolher visitar, fatalmente você vai morrer em alguma “entrada”. Não obstante a maioria dos hotéis oferecem cafés da manhã fascinantes e um conforto muito bom em seus quartos, transformando a experiência de um fim de semana em Gramado bastante agradável. Recomendo, todavia, cautela para a escolha de seu hotel, vez que alguns adotam restrições para fumantes e animais, por exemplo, enquanto outros não tem restrições para um, outro ou ambos.

Gastronomia: Come-se muito bem na cidade. Mas não é tão barato assim. Se formos comparar, em abril de 2012 (tempo em que escrevo esse post) é bem verdade que não está tão caro se compararmos a média de preços de comida na região sudeste. Mas em termos de cidades-turismo, não dá pra desconsiderar que determinadas coisas poderiam ser bem “menos caras”. Se você for optar por comer massa em lugar de carne, você vai perder dinheiro. Existem várias galeterias e churrascarias (parrilhas) disponíveis bem como restaurantes super requintados que realmente vão fazer valer o seu dinheiro em lugar de pizzarias, ou cantinas italianas, onde a massa é conhecida e os molhos nem são lá essas coisas.

Cultura: De fato, Gramado é uma parte da europa que criou raízes no Brasil, no quesito cidadania e educação. Se você meter o pé na faixa de pedestres, os carros param. Se você ignorou o pedestre, prepare-se para ser xingado ostensivamente. Se ficar repetindo isto indefinidamente, acho que a cidade inteira vai acabar te linchando. De resto você não vê burburinhos graves nem sequer na rua mais movimentada da cidade (Borges de Medeiros).

Chocolates: Taí um ponto a qual cometerei uma grande heresia, e espero que os locais não se sintam ofendidos. Sei também que gosto não se discute, mas quem estiver com disposição de tirar uma prova prática (considerando que você vai visitar ambas as cidades dentro em breve), experimente uma mesma barra de chocolate ao leite, simples, de todas as fabricantes. Você vai perceber que a diferença de sabor praticamente inexiste. Agora obviamente é diferente você ir em uma das boutiques de cada uma das lojas e provar seus chocolates premium, ou então seus chocolates-quentes e afins, que são servidos ostensivamente e generosamente em grandes xícaras com deliciosos acompanhamentos.

Natureza: Poucos pontos definem a natureza de Gramado ou Canela. A primeira delas é o Lago Negro, que não é tão negro assim e não é tão grande. Mas vale um passeio ao seu redor. Todavia você vai perceber que o Lago Negro nada mais é do que um antro de pedalinhos, pois os cisnes praticamente tomam conta do visual do respectivo lago. Em relação ao Parque do Caracol, é um passeio válido desde que seja feito em um dia bonito e não tão frio, e a descida para conhecer a cachoeira é legal, mas se você já foi conhecer as cataratas de Foz do Iguaçú, não estará perdendo muita coisa.

Comércio: Para as mulheres, as lojas de sapatos, botas e afins acabam sendo uma aventura, embora eu recomende cuidado, vez que os materiais as quais tais produtos são feitos nem sempre são de produtos legítimos. Tem couro vegetal e couro verdadeiro então cautela para a mulherada querendo botar o pé na jaca em compras. Roupas idem, embora em termos de roupas de frio não há muitos produtos 100% Lã.

Entrenimento: Normalmente a Borges de Medeiros acumula a maioria dos eventos que giram em torno de gastronomia. Costumam ser mais freqüentados de noite. Em outros casos, a rua José Petry acompanha a única boate da cidade, onde todos se reúnem para dançar. Entretenimento diurno fica por conta do castelinho de chocolate (Fábrica modelo da Caracaol), e a MUM (Museu da Moda), que é bem interessante para as mulheres que gostam do assunto.

Menções Honrosas: 

Casa Franzen: Esta casa é uma que fica na volta do Parque Caracol para Gramado, merece sua visita. Não estou fazendo propaganda para eles, obviamente, mas compartilho minha experiência vez que a casa tem uma história rica não só nos detalhes da casa mas em suas características vivas. Tem uma cafeteria presente no local que tem um menu meio restrito, mas não menos delicioso: O Apfstrudel de maçã com passas com Creme é uma divindade em si só. Apesar das pessoas acharem uma penca de gordura e optarem pelo sorvete, recomendo não comer a iguaria com sorvete. Comam com o creme. E é suficiente para dividir por dois. Outra iguaria deliciosa da casa é o chá de maçã, que é natural, onde a neta dos antigos proprietários da casa convidam a todos a conhecer a cozinha com seu fogão original alemão dos anos 50. Essa casa parou no tempo e é impressionante como ela mantém seu funcionamento tradicional. No segundo andar da casa, você se sente como o Marty McFly (ver filme De Volta Para o Futuru 1, 2 e 3), observando perplexamente as características que envolviam a vida de seus bisavós e tataravós.

Rodízio de Fondue do La Gruyére:

Na Rua José Petry existe um restaurante chamado La Gruyére. Se você é uma pessoa que não tem problemas em comer bem durante o período da noite, recomendo fortemente uma visita a este local para comer um Fondue todo especial. É um rodízio super completo, que começa com um Fondue de queijo maravilhoso, após um fondue de carne e por último um fondue de Chocolate ao Leite, que tem como opcional um de Chocolate Branco, com alguns reais a mais. Vale avisar que o fondue de Carne acompanha 3 tipos diferentes de carne (Ave/Porco/Vaca), e ao invés de um richeau cheio de óleo, o que é posto na frente é uma chapa de aço fundido aquecido constantemente, então você praticamente “frita” seu próprio bife ao seu ponto, sem o desprazer de comer meia garrafa de óleo lisa no meio do processo. Junto com o Fondue de carne há várias opções de molhos que dificilmente você vai conseguir comer todos, de tão variados que são. Outros pratos também estão disponíveis e normalmente servem duas pessoas, com exceção dos pratos de peixes, que servem apenas uma pessoa. É bom lembrar que, se você não vai em Roma comer Feijoada, se você não vai na Espanha comer um rodízio de pizza, acho melhor não comer peixe em Gramado, pois tenho certeza que dificilmente você será surpeendido.

Por enquanto é só.

Lago (Taken with picplz at Lago Negro in Gramado.)

Lago (Taken with picplz at Lago Negro in Gramado.)

That’s Us! (Taken with picplz at Dublin Irish Pub in Porto Alegre.)

That’s Us! (Taken with picplz at Dublin Irish Pub in Porto Alegre.)

Scary Shit! (Taken with picplz at Edificio Patrizia in São Paulo.)

Scary Shit! (Taken with picplz at Edificio Patrizia in São Paulo.)

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Um Brinde!!!….. (Taken with picplz at Beira Mar - Padaria e Confeitaria in Niterói.)

Um Brinde!!!….. (Taken with picplz at Beira Mar - Padaria e Confeitaria in Niterói.)

Curtas do 2o semestre de 2011

Como estou em falta com todos os leitores, resolvi fazer as curtas mais impressionantes da semana.

1) Hoje estava na fila do Santos Dumont, fazendo meu check-in. Eis que atrás de mim tinha uma senhora, de 40 e muitos anos Cabelos curtos, tipo de homem. Perfil Cássia Eller (ou Kassia, whatever). De repente o diálogo segue:

- Você é piloto?

- Sim…

- Há quanto tempo?

- Hmmmm sabe que eu não lembro? ‘xo contar <pausa mental> acho que uns 13 anos.

- E me diz uma coisa… Você já viu alguma coisa fora do normal?

———

Pausa para o comentário: Logo percebi que quando ela arregalou o olho para conversar comigo, estava perguntando não sobre anormalidades de aviação, mas sobre Ovnis!!! Pode uma coisa dessas?!?

Voltando ao diálogo

————

- Você quer dizer coisas estranhas? <perguntei, ressabiado>

- Sim!!!

- Ah não… só vi outros aviões, e graças a deus na separação regulamentar de altitude. Nada de anormal! <reticente>

- Ah porque quando eu voei num avião pequeno um comandante velhinho falou que já tinha visto vários OVNI’s…

<Balcão: PRÓXIMO!!!!!!>

- Imagino que sim! Acho que os homens lá de cima me acham feio. Com licença, um bom vôo pra senhora!

[END]

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2) Outro dia estava em curitiba, vindo de são paulo. A aeronave a qual eu cheguei ia voltar pra congonhas, e minha escala estava alocada para o Rio de Janeiro, galeão. Isso foi semana passada.

Eis que de repente fiz a troca de aeronave normalmente. Saímos no horário. Quando o comandante foi fazer o speech para a chegada, informou que a cidade maravilhosa estava com 24 graus e tal e coisa.

Beleza… De repente a comissária chama a gente na cabine. Eis o diálogo:

- Oi comandante. Com licença! Olha só, tem um passageiro aqui que está reclamando que ele queria ir pra Congonhas, e não para o Rio de Janeiro!

- Oi?!?!?!

[END]

Pois é. Como é que um passageiro embarca no avião errado? Isso existe? Sim. Basta 2 aviões serem embarcados ao mesmo tempo para que isso aconteça. Mas o problema é o seguinte: Mais uma vez prova-se que o passageiro não presta atenção no que o despachante fala no terminal de embarque e o que a comissária fala no speech de boas vindas. Esse é o Vôo XXXX para a Cidade do YYYYYYY, em ZZZZZZZZZZ.

Gente… Okay, o cara deu sorte que conseguiu ser reembarcado em Guarulhos. Mas porra. Como pode? Embarcar no vôo errado? Pelo menos pergunta pra Comissária para onde o avião está indo. Ora pois.

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3) Vários brasileiros, graças a popularização do transporte aéreo, tem viajado. E cada vez mais eu vejo esses primeiros navegantes com dúvidas, e todos eles querem fazer apenas uma coisa: Visitar a Cabine de Comando.

Sério. Eu não tenho nada contra. Mas por favor, quando você for pra lá, se comporte. O Copiloto, tadinho, não é um animal de zoológico para você falar “ai que bonitinho!!!” “nossa ele fala!!!” ou coisa do gênero. Sabemos também que o ser humano é muito inteligente (como sempre, mas se fosse inteligente não fazia tanta merda no planeta), mas o principal de tudo é que você não pode perguntar pro piloto se ele sabe usar todos os botõezinhos do painel. É CLARO QUE SABEMOS!. Senão não estaríamos ali. Acredite.

Juro por deus que eu não tenho nada contra visitar a cabine. Mas tem muita gente que chega ali atacada achando que tá numa feira promocional de esfihas de habib’s. Peguem leve faz favor!

Acho que na próxima eu vou fazer uma faixa “Copiloto Brabo!”

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O Tesslergate.

Eduardo Tessler foi o jornalista mais comentado no facebook e em todas as rodas de aviação desde as salas vips do AMEX e do Diners de Guarulhos e Congonhas, bem como nos DO’s de todas as empresas aéreas Brasileiras. O autor daquele enfadonho texto “caroneiro dos ares" e o "jeitinho 1, educação 0" criou um flamming imenso em todos os cantos do mundo, e uma indignação por parte de todos os aeronautas, no que diz respeito a atitude e as idéias pré-concebidas dos tripulantes que viajam “de carona” (termo técnico: extra particular/extra remunerado). Pois bem.

O que eu acho disso tudo? Bom, vou tirar esse post para ser meio advogado do diabo. Eu me considero um alvo dos textos dele também, apesar de ter a alma lavada (ainda que tardiamente) pela resposta do SNA, contudo não impede que venhamos a analisar a postura isolada do profissional em foco neste texto.

1) Primeiro é aonde ele se encontra. Jornalistazinho básico, que publica seus textos num provedor de conteúdo copiado, como o Terra networks. De fato, o Terra deve ter uma abrangência de clientes grande, e é fato que jornalistas novos começam seus empregos nesses portais e vão cavando oportunidades melhores até parar (ou não) nas mídias principais impressas (ou grandes mídias online). Não imagino que o Terra seja um bom nicho para jornalistas experientes, até porque ela não pode criar muita coisa vez que a infraestrutura dela é baseada nas agências de notícias já consolidadas no mercado e delas copiada. Também temos que notar um ponto importantissimo: um jornalista sério como O Globo, O Dia, ou qualquer outra mídia de circulação massiva provavelmente terá uma postura estudada do caso, polida, ainda que mencionasse algo essenciamente polêmico. Jamais iria dizer “caroneiros”, iria dizer talvez “tripulantes de carona” ou algo provavelmente mais próximo da realidade. Se prestarmos atenção nos dois textos dele, ele escreve como se fosse um papo informal no bar, sendo ele a vítima do incômodo, e não algo jornalístico sério. Comporta-se como um jornalista medíocre idealista sem causa, para dizer o mínimo. Convenhamos, para ser jornalista hoje em dia nem precisa mais de diploma: E nisso obtemos duas interpretações: Tem gente que faz curso e não consegue ser nada, e tem gente que nunca precisou de curso e é um excelente atuante na área. Aparentemente, Tessler deve se encaixar na primeira opção.

2) Tessler na realidade nunca fez nenhum dever de casa (pesquisa) para compor essa “reportagem”. Ele parece que já tem um lugar comum, um recalque pré estabelecido. Ele quer porque quer atacar os tripulantes. Eu bem que gostaria de saber quem estaria financiando ele pra fazer isso. Para ele não importa que a Infraero seja um poço sem fundo de corrupção, ou que a ANAC seja um cabide de despreparados, gerenciada até pouco tempo pela foda mais gostosa do Ministro da Defesa. Todo o Caos da aviação e a desgraça de todos os passageiros para fechar a porta da aeronave é do “piloto gordinho risonho”  (seja lá o termo utilizado por ele) que senta do lado dele. Nessa hora, eu gosto de usar aquela frase bem dita durante o aeroclube: “mijar pra baixo é muito fácil”. Quero ver ser macho e mijar pra cima.

3) Nota-se também uma falta de adequação terminológica. O recalque é pessoal, ele só esqueceu de ser mais explícito neste ponto. Também não se deu ao trabalho de perguntar por quê existam tantos tripulantes voando de extra. Nessa hora era interessante fazermos também um Mea Culpa: Desde os fins da aviação brasileira clássica (Varig, Vasp, Transbrasil), 80% das empresas aéreas brasileiras baseiam seus tripulantes exclusivamente no estado de São Paulo. São elas a TAM, a Gol, a Avianca Brasil (ex: OceanAir) e a Azul. A Trip, Webjet e Passaredo se localizam em bases completamente diferentes devido ao foco regional delas (Exceção da Webjet, que quer abrir base por uma questão estratégica diferente). E daí, temos que botar na balança que o incômodo Tessleriano não o fez nem pensar os motivos pela qual nós nos movimentamos constantemente: Umas vezes para ir pra SP para trabalhar, outras vezes porque a empresa programa os tripulantes intencionalmente para ir como passageiros para determinada localidade para fazer outros vôos ou outros fretamentos. Temos culpa? Mesmo?

4) Para ajudar o nosso amigo jornalista, que abusa de sua mediocridade escrevendo sem pensar ou estudar sobre o assunto, interessante seria questionar a centralização da base dos tripulantes em um só local, visto que num país que em tese irá sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas dentro em breve. Além disso, vale perguntar também por quê existe esse caos político constante dentro da infraestrutura estagnada da Infraero onde as empresas tem que crescer pedindo “pelo amor de deus” para os órgãos governamentais responsáveis. Disso ele não fala, porque obviamente lhe falta a coragem ou o discernimento para fazer essas perguntas. Sabe que se for mexer com gente grande no governo vai tomar uma boa dedada (desculpe, sou educado) no seu lindo esfíncter e sua carreira, que já não era lá essas coisas, aí sim não vai sair do chão MESMO.

5) Ao invés de xingá-lo como todos tem feito (de certa forma com razão), eu gostaria de convidá-lo para uma entrevista. Gostaria de talvez, se ele fosse ético o suficiente, convidá-lo a mostrar o que está acontecendo na aviação civil brasileira hoje. E também convidá-lo a prestar atenção no que está acontecendo ao redor dele, visto que aparentemente os óculos dele estão mal ajustados em termos de foco e especificações. Ele não foi pra São Luiz do Maranhão ver o Terminal Aeroportuário com o teto desabado, onde as pessoas tem que esperar num calor satânico o seus vôos num terminal de lona, parecendo uma tenda de música eletrônica no Aterro do Flamengo, em pleno meio dia. Ele não viu também as goteiras dos fingers do Aeroporto de Recife, que se dizem prontos para receber a Copa do Mundo. Ele também não observou os superfaturamentos dos ” Módulos Operacionais Provisórios” (popularmente conhecidos como Puxadinhos) de Vitória, no Espírito Santo, que já estão parados por falta (a.k.a desvios) de Verbas. Ele também não vai saber explicar por quê o Aeroporto de Goiânia está estagnado onde o argumento principal é a falta de espaço. Ele também não vai saber explicar o porquê do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro não estar sujeito a privatização, devido as forças políticas do Sérgio Cabral com as Forças Armadas em relação a quem controla aquele aeroporto, que está mais do que na hora de ser reformado, nos 2 terminais.

Isso sim seria um jornalismo decente, revolucionário, verdadeiro e ético. Mas como o Tessler é um cagão (desculpe, não consigo achar outro termo adequado), ele não vai “mijar pra cima”. Dá trabalho. É mais fácil jogar a culpa nos tripulantes e nos trabalhadores, visto que com político poderoso é beeeeeeeeem mais difícil, sob pena de se tornar um renegado e morrer por isso. O quê? Morrer por tripulantes? Jamais! Então ética, neste caso, não tem lugar. Imediatamente me lembro de umas das frases mais célebres na política brasileira, de Rubens Ricúpero, antigo ministro da fazenda, que dizia “O que é bom a gente Fatura, o que é ruim a gente Esconde”, naquele incidente da TV via Satélite. Duvido que ele se lembre dessa frase, ou de quem foi Rubens Ricúpero. Mas ele com certeza conhece o princípio geral. Ele faturou o ibope e a sua promoção pisando nos aeronautas. E nem ficou por isso mesmo.

Por isso convido nosso colega Jornalista Eduardo Tessler a se apresentar para discutir verdadeiramente os problemas que ele tem enfrentado como passageiros. Tenho certeza que o grupo de vôo todo será unânime em dizer quais são os problemas pontuais e, na realidade, se ele for investigá-los, irá parar numa teia política fortíssima, de seres graúdos e poderosos, que vão dar uma martelada de Thor (sim, Thor porque está na moda e está em cartaz também) na cabeça dele. Se não matarem, porque no Rio de Janeiro, por muito menos você não toma um tiro até mesmo no Posto Mega na Barra da Tijuca.

Logo, aos meus queridos aviadores, durmam tranqüilos.  Nós sabemos os problemas que enfrentamos diariamente. Ninguém nos perguntou nada, e no olho dos passageiros, infelizmente ainda seremos os culpados, graças a esses jornalistas medíocres que mal ou bem, se vendem barato para a mídia, a troco de fama e um pouco de dinheiro. Eu não me desgastaria tanto por pouco.

Vamos fazer um pequeno flashback, porque eu acho que é válido: Lembram em 2007, no apagão áereo e na greve dos controladores? Sabe para onde os passageiros transmitiram sua revolta? Contra as empresas aéreas. Ninguém perdoou os coitados dos pilotos, comissários, despachantes e atendentes de balcão de check-in. Já que, obviamente, em uma demanda judicial, processar a empresa aérea dá retorno certo em face de uma empresa pública ou autarquia, onde seu dinheiro irá mofar em precatórios durante 10 anos. Ninguém vai contra a Infraero, ninguém vai contra a União, porque sabem que vão mexer com gente graúda. Nem as empresas aéreas fazem isso, porque as últimas que tentaram, foram massacradas de forma categórica. Isso aqui, no final das contas, precisa é de um impacto de moral. E estamos muuuuuuuuito longe disso, com esse governo medíocre da Dilma.

É essa minha opinião, senhores. Deixem ele para lá. Ele já conseguiu o ibope dele às nossas custas. Já já ele vai ser jornalista de algum jornal bom. Esperem só e verá. Sabe por quê? Porque no Brasil, o Mundo é dos medíocres, e nós ficamos sentados e observando perplexos, sem fazer absolutamente nada.

Bullying - o tema velho da moda.

Acho muito engraçado essa coisa de Bullying virar moda. Precisou de um moleque com merda na cabeça e matar uns garotos em Realengo para chamar a atenção da péssimamente informada opinião pública brasileira (E carioca, pra começo de conversa) sobre o termo, que na realidade já existe como aspecto claro de forma de poder em sociedade. Bullying é, aliás, o que define as guerras de tráfico que até outros meses atrás arrastavam o Rio na onda de medo e que, na realidade, a milícia fez questão de abafar e dominar, porque afinal de contas, não existe lucro com venda de drogas com tiro indo pra lá e pra cá.


O Bullying nada mais é do que a desestrutura social em formato mirim. A ausência de “autoridade” e educação recoloca um grupo social muito jovem - e nesse caso eu me refiro aos estudantes de primeira a quarta série ou de quinta a oitava (como dizia na minha época), que estão justamente querendo se definir como pessoas numa sociedade e acabam esbarrando nos preconceitos e nos que são “estranhamente diferente” dos demais que são “normais”, dentro de um conceito muito abstrato dependendo da faixa social em que esse pequenino grupo se encontra.


Dentro da minha experiência pessoal (é claro, vou citá-la aqui), sempre sofri bullying. Estudei no famoso Colégio Anglo Americano, na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro nos anos 80. Mas nem por isso minha passagem por lá foi tranqüila. Sei que fui privilegiado em estudar lá, mas não defino como algo digno de lembranças boas, em nenhum nível.

Primeiro porque sempre fui sacaneado porque era uma criança obesa. E obesidade sempre foi, pros olhos dos garotos desta geração, um símbolo de derrota. O fato de não ser magro é um presságio para não ser bonito e pintoso no futuro, e ser um “pega-ninguém”. Outro aspecto em relação ao bullying que não só acontecia comigo mas acontecia com meninas que eram negras.

E num microcosmo social, os preconceitos sofrem efeito cascata, tanto que dentro de minha casa havia uma certa enunciação de preconceitos diversos por exemplo, do meu pai contra negros. Não adianta dizer, as gerações muito mais antigas sempre tiveram preconceitos arraigados contra afro-brasileiros (tanto que existe esse estigma até hoje nos EUA e aqui também, com essa história de quotas, mas deixa isso pra ser discutido outro dia), mas digo que dentro das minhas frustrações, eu também tinha meus momentos de preconceito contra uma menina afro-brasileira que hoje é atriz de novela e é extremamente famosa e estudou comigo nesse mesmo colégio. Obviamente me arrependo disso, mas não vou ser hipócrita em negar o que eu fiz: Se fiz, tive com certeza uma influência em fazê-lo, mas não um motivo legítimo, claro que não.

Me lembro de um episódio de tê-la chamada de “criolinha”, coisa que de fato não é nem um pouco agradável de se lembrar, mas que eu faço questão de fazer o mea culpa, porque hoje podemos muito bem entender o que aconteceu. Dentro da minha turma do Anglo Americano havia uma certa frescura porque a turma tinha mapeamento de assentos, para que os núcleos de conversa não se formassem, coisa que era definida pelo professor randomicamente, por semestre. Curiosamente isso não mudava muita coisa porque sempre colocavam os mais bagunceiros no fundo da sala, já que não queriam que eles ficassem causando problemas em suas aulas na frente. Afinal, professor orgulhoso quer aluno brilhante na frente né, onde ele pode se gabar mais. E nisso os bulliers se faziam lá trás. Eu fui alocado no meio, e como sempre não dava pra ser nem um nem outro. Mas sempre ficava no limbo em ser zoado justamente pelo fato de ser gordo, tímido, e ter a consciência que não adiantava se fazer pelo sistema de punição interna do colégio (“ficha de ocorrência” “ficha de advertência” “ficha de suspensão”), então a cara de pavor era constante. Ser obeso no Anglo Americano era um terror.

Lembra do video do Gordinho Zangief? Pois é. Eu fui participante de uma cena igualzinha a essa no Anglo Americano, onde dois garotos, mais baixos, ficavam me zoando de “gordo/baleia/saco de areia” constantemente, na hora do “recreio” (hora do intervalo). Eis que uma hora você fica extremamente pilhado e frustrado e com a ignorância alheia e eu resolvi tomar uma atitude, mesmo sabendo que ia me foder. Peguei 1 pelo pescoço e dei um mata leão, até o moleque desmaiar. O outro eu dei um murro no peito, dei uma banda e joguei contra uma grade de saída de metal enferrujado, cuja porrada rendeu uma boa mancha rosa, mas não chegou a sangrar. Queria que tivesse sangrado. Na realidade eu queria que tivesse aberto uma ferida inesquecível nele. Porque a raiva era tanta, que consigo me lembrar dessa cena claramente até hoje. Tanto que o vídeo do Gordinho Zangief para mim não foi engraçado. Foi uma rememoração dessas lembranças.

E agora passamos a analisar o que exatamente traz esses episódios. Como eu falei acima, os colégios hoje em dia são microcosmos sociais do que temos hoje em nosso País. A ausência de autoridade define exatamente esse microcosmo onde alguns acham que podem tudo, e outros que tentam levar suas vidas normalmente acabam sendo achincalhadas por aqueles que acham que podem. Num colégio como o Anglo Americano, na Barra da Tijuca, onde vários garotos se achavam intocáveis pelo fato de terem pais famosos ou pais poderosos, o nível de stress em relação a esse tipo de evento era uma constante. E todos, todos sem exceção, se consideravam intocáveis ou isentos de punição, pois como diz aquela frase no filme “Scent of a Woman”, "and there’s George, hiding in big Daddy’s pocket".


Vendo o que aconteceu comigo, devemos nos perguntar que fim levou depois que eu agredi os dois moleques. Bom, primeiramente que eu virei um monstro pras mamães dos rebentos, e acabei virando uma pessoa mais isolada ainda dentro da sala. Pela questão de obesidade somado agora com a antipatia que havia conquistado por ter esmurrado e enforcado um garoto de uma série menor que a minha (fui taxado de covarde, é mesmo, esqueci dessa), provoquei os valentões da sala dizendo "vem mexer com a gente então, gordo covarde babaca!" e sim, apanhei muito depois. E, claro, logo depois do evento veio um inspetor me levar pra diretora da primeira série pra me passar uma ficha de ocorrência e me colocar como vilão, enquanto que os 2 príncipes se saíram como vitimas, e muito bem, ganhando o Oscar do colégio inteiro. Babacas.

E eu acho que é aí que começa a minha crítica em relação ao tema: Bullying sempre existiu. O problema é o sistema educacional que está, de fato, falido. E também já se observa desde esta época uma falência da instituição familiar pois os preconceitos eram arraigados dentro de casa, e as crianças, de fato, retransmitem isso sem perceber. Racismo foi algo que eu retransmiti. As outras crianças da sala retransmitiam os pré-conceitos adquiridos de suas casas para a sala de aula ou até mesmo, por diversos motivos, eram tão escurraçados em casa que faziam valer sua raiva na escola, onde eles podiam ser quem eles quisessem. Não havia acompanhamento psicológico pra nenhuma criança com esse tipo de problema e a escola particular, neste caso, estava cagando para o bem estar daqueles que sofriam esse tipo de violência.

O Bullying nada mais é do que a conseqüência direta da falta de educação de berço, a ausência familiar conceitual e, acima de tudo, ausência de autoridade dentro do ambiente escolar, que acaba tornando esse tipo de violência instuticionalizado.

É por essas e outras que quando eu passo na frente do Anglo Americano na Barra, quando passo ali, não sinto nada a não ser raiva, rancor, ódio. Por mim eu teria implodido aquele prédio quando eu saí de lá. É um discurso dramático, mas não sinto falta daquele lugar. Não deixaria um filho meu ali dentro em hipótese alguma. Ainda mais sabendo que a mesma diretora se encontra lá, e a filha da puta não morreu até hoje e provavelmente o metodo de ensino jamais mudou.

Aliás, dentro desse contexto, outro ponto histórico interessante eu quero mencionar, porque é extremamente interessante.

Como vocês sabem, as redes sociais (orkut/facebook/etc) são responsáveis por diversos reencontros de turma de colégio de vários grupos que invariavelmente acabam se achando… pois bem. Recentemente uma menina publicou uma foto da época de turma onde eu já não era tão gordo assim (mas ainda assim eu era o saco-de-pancada da turma), e foi um pouco antes de pular para o segundo grau. Um dos seres que ali habitavam era um garoto relativamente alto, cabelos longos (quando, para meninos, cabelos longos era considerado um escândalo nos anos 80), filho de um baterista de uma banda de rock brasileira. Pois bem. Ele sempre teve um jeito metido, prepotente, e tratava todos os outros que nem empregados, e como era filho de alguém famoso na época, acabava sendo o centro dos puxa-sacos de plantão da “ganguezinha” dele.

Acabou que todo mundo resolveu comentar na foto, e todo mundo se “reencontrou” ali. E uma surpresa inusitada foi a aparição desse ser prepotente e escroto como, agora, um Presbítero de uma igreja, falando que tudo era em nome de deus. Ironticamente, o gordo mais mal tratado do mundo daquela época acabou sendo o centro das atenções desse agora rapaz, que começou a querer me encantar com os discursos religiosos dele.

Desconfiado e direto como eu sou, mandei uma mensagem pelo facebook pra ele, perguntando de fato, o que fez ele mudar tanto, de um garoto prepotente e arrogante na época do anglo para alguém tão dócil e devoto a felicidade alheia como ele estava sendo comigo. Aí fui pontual em ilustrar com detalhes os momentos em que ele foi prepotente na turma, como ele se trajava, como ele se comportava. Ironicamente ele não teve coragem de responder a mensagem, mas ainda assim continuava me dando constante atenção. Filosofando sobre o tema, e ignorando suas solicitações em conversar com ele pelo chat do facebook (eu até adicionei ele por um tempo mas depois bloqueei, e agora vou explicar o por quê), cheguei a conclusão que não precisava reviver o passado mesmo que de forma diferente. Já foi decepcionante conhecer essa pessoa no passado, com o que ele trouxe a época, e não vai ser agora que ele vai se redimir dos “pecados” cometidos. Sorry fella (da puta), um abraço e até breve.

Provavelmente o comportamento dele à época deve-se a questão familiar e social dele, e pode até ser que isso permita uma isenção de culpa do comportamento dele para comigo. Mas não dá, não é possível perdoar mais esse tipo de coisa. Determinados perdões você pode dar, mas esquecer do acontecimento realmente é muito difícil. Sou muito rancoroso e não pretendo deixar passar todo o sofrimento que tive no colégio em branco, em Prol de Deus. Sei que o que eu fiz, na época, contra a menina afro-brasileira (hoje é a Tais Araujo!) não é perdoável em nenhum nível, e tenho que viver com isso sem o perdão dela. Não tenho desculpa para o que fiz, mas tenho uma explicação.

Hoje em dia eu vejo meus amigos próximos já com filhos, com idades pequenas ainda. Espero que eles tenham coragem de questionar bastante o método educacional que estão sendo colocados de bandeja para eles, pois uma coisa é certa: nada vai mudar, enquanto houver gente que não tem capacidade de ser pai/mãe tendo filhos por ter, ou achando que seu filho estará sempre com razão e não analisar friamente determinadas posturas como erradas ou certas. E, claro, as instituições educacionais tem que se colocar mais presentes com presença de autoridade suficiente para perceber e coibir esse tipo de atitude o quanto antes.

Neste último parágrafo aproveito pra falar da história que meu amigo Claudio Hammer falou sobre a questão do filho dele, que estava sendo agredido no colégio. Depois de conversar com o filho sobre o que estava acontecendo, os grandinhos da turma (do filho dele) não cessaram com as agressões. Exigindo uma postura institucional, foi até o colégio mencionar o que estava acontecendo, e as professoras demonstraram não conhecer do problema, dizendo que estava tudo normal. Na reunião de pais, acabou que as mães não reconheciam também o problema, e que seus filhos “jamais” fariam isso. Esse diálogo, segundo Claudio, se repetiu por duas vezes. Na terceira, orientou o filho da seguinte forma “na próxima vez que forem pra cima, pode ir pra porrada. Apanha, mas bate. E bate pra valer”. De fato, não seria o melhor conselho em um aspecto social, mas em um plano antropológico é bem mais direto. Mas ao meu ver, dentro da história contada, o naturalismo teve que se impor em detrimento da instituição falida da escola, que fica vendida pela presença do aluno que paga a mensalidade. E, novamente, a desproporção apareceu: O filho de Cláudio foi recriminado pela postura, pois “haveria meios pacíficos de resolver o problema”. Claudio foi pontual “eu tentei os meios pacíficos duas vezes, mas ao que eu saiba, vocês não fizeram nada”. Os outros capítulos da novela eu não sei, mas outro dia desses ele me conta.

Agora dá licença, vo falar da família real, porque eu também tenho meus posts fúteis.